Por: Nova Futura Investimentos

Na sexta-feira (22), apesar da bolsa brasileira e os mercados europeus fecharem em alta, os mercado nos Estados Unidos não fecharam bem. As bolsas tiveram queda ao longo do pregão, com a maioria em baixa e a Nasdaq, que vinha sendo um contraponto, fechou no zero a zero.

A queda nas bolsas americanas se deveu, principalmente aos temores de infecção que levou empresas como Apple fechando lojas por conta de uma possível segunda onda de covid-19. Além disso, segundo Jerome Powell em teleconferência, a economia americana não terá uma solução simples e rápida e uma nova onda de covid-19 pode dificultar ainda mais o cenário.

O Dow Jones teve queda de 0,80% e o S&P 500 também teve queda, em 062%. A Nasdaq fechou no zero a zero, com alta de 0,03%.

O VIX, com os receios em relação a retomada da economia, teve elevação de 3,92%, em 34,23 pontos.

Na Europa, o mercado ignorou os riscos de uma nova onda de covid-19 e o fechamento das lojas da Apple nos Estados Unidos.

A reunião por teleconferência entre autoridades dos 27 países da União Europeia, com a retomada das negociações do fundo de € 750 bilhões para aliviar as consequências da pandemia fez com que os mercados no velho continente fechassem em alta, apesar de ainda existir resistência entre alguns países.

Londres subiu 1,10%. Milão teve ganhos de 0,68%. Paris e Frankfurt tiveram altas parecidas em 0,42% e 0,40% respectivamente. Madrid ganhou 0,32%.

No Brasil, o dia registrou novos ganhos, mesmo que moderados.

Os investidores focaram na queda das taxas de juros e no relatório divulgado posteriormente que, apesar de informar que o espaço para política monetária estar começando a encurtar, ainda haverá abertura para novos cortes o que, por seu turno, faz com que a taxa de desconto das empresas fiquem menores.

Além disso, a pressa demonstrada pela equipe econômica do governo para colocar uma âncora fiscal para conter o endividamento público e o empenho para reduzir a dívida no próximo ano, também geraram preço no mercado.

O Ibovespa subiu levemente em 0,46%, fechando a sessão em 96.572 pontos. O dólar teve queda de 0,99%, cotado a R$ 5,31.

A queda no número de poços e plataformas em atividade nos EUA, somada ao aumento nos custos de entrega do petróleo sustentaram os preços.

O barril do petróleo Brent teve alta de 1,64%, cotado a US$ 42,19 e WTI fechou com ganhos de 2%, a US$ 39,83.

EUA: índice de atividade e mercado imobiliário

Para hoje (22), a agenda não terá muitos dados econômicos, o foco será em índices de atividade e venda de imóveis.

Começando pela atividade econômica, o Índice de Atividade Nacional será divulgado pelo FED Chicago, evidenciando os números para o mês de maio.

O indicador é utilizado como uma prévia do nível de atividade para o país, devido a amplitude dos dados que consideram em seu cálculo, outros 85 indicadores relacionados à renda e produção, emprego, desemprego e horas trabalhadas, consumo privado e vendas, pedidos e estoques.

É preciso olhar o indicador com certa cautela, uma vez que pode haver melhora, uma vez que no mês de maios os agentes estavam com boas expectativas em relação à reabertura da economia. Todavia, como alguns setores tendem ter demora para se recuperar, os dados ainda podem ficar no negativo.

No que diz respeito ao mercado imobiliário, a National Association of Realtors publicará as Vendas de Casas Usadas mensalmente para o mês de maio.

O mercado espera melhora no indicador de venda, uma vez que com as expectativas em relação à reabertura econômica e com ativos imobiliários com preços baixos, faz com que agentes com caixa encontrem oportunidades de aquisição.

Assim, após queda de 17,8% em abril, apesar de ainda haver redução, o mercado terá queda de 3%, mostrando que tem quantidades menores de agentes deixando de adquirir agentes, com o número de aquisições saindo de 4,33 milhões para 4,10 milhões de casas usadas.

Europa: confiança do consumidor e reunião do Banco Central da Alemanha

Na Europa, a comissão Europeia divulgará os dados referentes à confiança do consumidor para o mês de junho.

O indicador de confiança terá melhora, segundo a expectativa do mercado, saindo de -17,8 em maio para -15 pontos em junho. A melhora se deve à reabertura econômica nos países da região e, por seu turno, volta dos negócios.

Todavia, ainda existem temores, levando em consideração a possibilidade de segunda onda com o novo aumento de infectados na China e nos Estados Unidos.

Na Alemanha, seu Baco Central divulgará o relatório mensal. Tal qual a ata do FOMC e do COPOM, esse relatório ajuda os agentes a entenderem a percepção dos formuladores de política e os próximos passos que serão dados pela instituição, além de ser muito positivo para o alinhamento de expectativas.

Brasil: relatório focus

No Brasil, como ocorre toda segunda-feira, será divulgado o Boletim Focus com as expectativas do mercado em relação à economia.

Devido aos dados antecedentes da atividade econômica, de inflação e endividamento do setor público, os agentes acreditam que indicadores como PIB, inflação e produção industrial terão queda ao fim do ano de 2020 e terão recuperação, mesmo que vagarosa, somente em 2021.

Mas existe a possibilidade de leve melhora, uma vez que alguns dados econômicos tiveram resultado melhor que esperado ao longo do mês aliado ao esforço da equipe econômica estar empenhada com o controle das contas públicas.

No entanto, as perspectivas de uma segunda onda no exterior, não podem ser ignoradas.