Bolsas mundiais avançam com investidores monitorando tratamento de Trump; articulação para reaproximar Guedes e Maia e mais destaques

As bolsas mundiais sobem no início desta semana, impulsionadas por maior otimismo dos investidores sobre a recuperação do presidente norte-americano, Donald Trump. Caso se confirme, a recuperação de Trump reduz a grande incerteza que ronda hoje a corrida presidencial nos Estados Unidos, a apenas quatro semanas das eleições.

No Brasil, o mercado continua a acompanhar nesta semana as articulações do governo para tentar criar o programa social Renda Cidadã. A ideia mais recente, segundo a Folha de S.Paulo, é extinguir o desconto de 20% concedido a contribuintes que optam pela declaração simplificada do Imposto de Renda da pessoa física.

Além disso, membros do governo estão fazendo esforços para apaziguar a relação do ministro da Economia, Paulo Guedes, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Hoje à noite, eles se encontrarão em um jantar para tentar retomar o diálogo. Segundo o Broadcast Político, o encontro ocorrerá na casa do ministro do Tribunal de Contas da União Bruno Dantas.

No noticiário corporativo, a Petrobras anunciou a venda de uma empresa no Uruguai por US$ 61,7 milhões. Já a Qualicorp e a JHSF divulgaram a distribuição de juros sobre capital próprio. A CCR informou na sexta-feira que o tráfego nas rodovias entre 25 de setembro e 1º de outubro subiu 4,1% na comparação anual.

1. Bolsas mundiais

As bolsas mundiais estão em alta com as notícias de melhora na saúde do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está com Covid-19.

Na Europa, o índice Euro Stoxx avança 0,66%. O CAC, de Paris, sobe 0,75% e o FTSE MIB, da Itália, registra alta de 0,59%, enquanto o FTSE 100, de Londres, ganha 0,66%. O DAX, da Alemanha, sobe 0,63%.

Os futuros do S&P 500 estão em alta de 0,61%, enquanto os do Dow Jones sobem 0,64%. Os futuros da Nasdaq avançam 0,93%.

Ontem, Trump publicou um vídeo no Twitter dizendo que está melhorando da doença. Além disso, ele fez um passeio de carro para acenar aos seus apoiadores.

No entanto, os médicos informaram que ele está sendo tratado com dexametasona, remédio que costuma ser recomendado para casos severos da doença. O presidente também passou por duas quedas nos níveis de oxigênio desde o anúncio do diagnóstico, na sexta-feira.

No domingo, uma pesquisa eleitoral da Reuters/Ipsos mostrou Joe Biden à frente da disputa presidencial, com 51% das intenções de voto, enquanto Trump ficou com 41% dos eleitores.

Na Ásia, os mercados fecharam em alta. No Japão,o Nikkei subiu 1,23%, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, registrou alta de 1,32%, e o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 1,29%. Na China, os mercados estão fechados devido a um feriado local.

*Veja o desempenho dos mercados, às 7h09 (horário de Brasília):

Nova York

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,61%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,93%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,64%

Europa

*Dax (Alemanha), +0,62%
*FTSE 100 (Reino Unido), +0,65%
*CAC 40 (França), +0,73%
*FTSE MIB (Itália), +0,58%

Ásia

*Nikkei (Japão), +1,23% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), +1,32% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +1,29%

Commodities e bitcoin

*Petróleo WTI, +4,21%, a US$ 38,61 o barril
*Petróleo Brent, +3,90%, a US$ 40,80 o barril

*Bitcoin, US$ 10.675,92, +0,69%

2. Agenda

Os investidores acompanham hoje a divulgação do Boletim Focus, do Banco Central, às 8h25. Mais tarde, será conhecido o índice de gerente de compras (PMI) Markit de serviços do Brasil e dos Estados Unidos. Às 15h, o mercado acompanha a balança comercial semanal brasileira.

3. Renda Cidadã

O mercado continua a acompanhar nesta semana as articulações do governo para tentar criar o programa social Renda Cidadã. A ideia mais recente, segundo a Folha de S.Paulo, é extinguir o desconto de 20% concedido a contribuintes que optam pela declaração simplificada do Imposto de Renda da pessoa física. De acordo com o jornal, a medida pode atingir mais de 17 milhões de brasileiros.

Apesar de incluir o formulário simplificado – que existe há 45 anos – este plano manteria o direito a deduções médicas e educacionais. Mesmo assim, ainda seria necessário abrir espaço no teto de gastos. Por isso, o Ministério da Economia deve fazer um pente-fino no Orçamento para encontrar verbas que possam ser cortadas.

Além do Renda Cidadã, existem outros temas sendo discutidos pelo governo. Segundo o Valor Econômico, começou a ser discutida a possibilidade de prorrogar outras ações criadas para lidar com a pandemia, como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e a redução a zero da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito. No entanto, não há dinheiro para mantê-las.

A situação gera um impasse. De um lado, a equipe econômica pretende restringir todos os programas emergenciais a 2020. Desta forma, este seria um ano de exceção na estratégia de ajuste fiscal. Por outro lado, a pandemia pode impor a continuidade de alguns destes programas, de acordo com integrantes da equipe econômica ouvidos pelo Valor.

O quadro de saúde do presidente dos Estados Unidos continua a ser monitorado por investidores de todo o mundo, e existem chances de que ele receba alta hoje. No domingo, o médico da Casa Branca, Sean Conley, disse que ele “continua a melhorar”. Antes disso, informações desencontradas e a confirmação de que Trump teve dois episódios de queda no nível de oxigenação foram o centro das atenções. Ontem, o presidente norte-americano chegou a deixar o hospital para um passeio de carro no qual acenou para apoiadores.

4. Relacionamentos de Guedes

Membros do governo estão fazendo esforços para apaziguar a relação do ministro da Economia, Paulo Guedes, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Hoje à noite, eles se encontrarão em um jantar para tentar retomar o diálogo. Segundo o Broadcast Político, o encontro ocorrerá na casa do ministro do Tribunal de Contas da União Bruno Dantas. Havia uma expectativa de que Guedes e Maia fossem se encontrar neste domingo, mas a conversa foi adiada.

A conversa tem como objetivo destravar a agenda legislativa da economia. Na semana que passou, eles voltaram a trocar farpas. Guedes acusou Maia de se unir à esquerda para impedir as privatizações, e o deputado chamou o ministro de desequilibrado.

Outro relacionamento de Guedes que segue no radar do mercado é com o ministro do Desenvolvimento Social, Rogério Marinho. A guerra declarada entre eles em torno da forma de financiamento do programa Renda Cidadã evidenciou um racha no governo. Na semana passada, Marinho defendeu publicamente que o programa deve sair “de qualquer jeito”.

Como resposta, Guedes voltou a chamar Marinho de traidor e deu um alerta à ala política do governo. “Se a doença vier (numa segunda onda), vamos furar teto. Mas não vamos furar o teto para fazer política”, avisou. “Não acredito que Marinho falou mal de mim. Se falou mal, isso mostra que ele, em primeiro lugar, é despreparado, além de desleal e fura teto”, afirmou, segundo reportagem do Estadão.

Depois da briga entre Marinho e Guedes, o presidente Jair Bolsonaro disse neste final de semana que pretende repreender Marinho em uma tentativa de encerrar de vez a disputa entre os dois, de acordo com a Folha de S.Paulo. A expectativa é de que a conversa do presidente com o ministro ocorra no início desta semana, quando Bolsonaro deve promover uma reunião ministerial.

5. Radar corporativo

No noticiário corporativo, a Petrobras anunciou a venda de uma empresa no Uruguai por US$ 61,7 milhões. Já a Qualicorp e a JHSF divulgaram a distribuição de juros sobre capital próprio. A CCR informou na sexta-feira que o tráfego nas rodovias entre 25 de setembro e 1º de outubro subiu 4,1% na comparação anual. No acumulado do ano, houve queda de 4,6%.